sábado, 25 de dezembro de 2010

Uma estética para corpos mutantes

Na contemporaneidade o corpo torna o elemento de maior investimento da tecnologia. O individuo é estimulado, por um discurso vinculado aos meios de comunicação e informação, de consumir um corpo perfeito, sadio e jovem. Segundo Couto (2009) o culto ao corpo se tornou um estilo de vida, mas de uma vida tecnocientífica.

Contudo, a apelo a um corpo perfeito não está restrito a epiderme, somos responsáveis por conservar o interior do corpo em perfeito estado, vigiar o aparecimento de possíveis doenças. A palavra de ordem é prevenir, antecipar-se aos danos causados pelo tempo, o clima, os agentes poluidores, o ritmo de vida alucinante. Por detrás de todas essas recomendações o que se encontra é o discurso, amplamente divulgado, de que o corpo precisa ser glamourizado (Couto, 2009, p.46).

As tecnologias não estão apenas interessadas em prolongar a juventude, mas também, em restaurar sentidos e/ou movimentos, superar limitações e expandir capacidades físicas e mentais a partir da introdução de artefatos tecnocientíficos no corpo. O homem híbrido parte orgânico, parte inorgânico é uma realidade. É cada vez maior a compreensão de que o corpo se tornou o lugar por excelência das tecnologias de ponta e o destino das máquinas (Couto, 2009, p. 47).

Investir no corpo passou a ser um excelente negócio, o mercado da beleza, da saúde e do bem estar nunca foi tão atrativo, a cada instante um novo produto milagroso surge nas prateleiras com a promessa de tornar o corpo perfeito e de melhorar abruptamente o desempenho dos órgãos. A velhice parece estar cada vez mais longe de novas vidas tecnocientíficas.

Segundo o autor (2009), o corpo se tornou o lugar ideal para todo tipo de experimento da biotecnologia, investimento da economia de mercado e o principal objeto de consumo no capitalismo avançado. Este determina a partir de mensagens publicitárias o novo olhar que individuo deve ter sobre seu corpo, produzindo homens insatisfeitos com a sua aparência e capazes de se remodelarem incessantemente para serem aceitos pela coletividade.
Texto produzido a partir do ensaio: Uma estética para corpos mutantes. Edvaldo Souza Couto, 2009.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Corpo, fragmentos e ligações: a micro-história de alguns órgãos e certas promessas


As novas tecnologias a cada instante tornar obsoletos produtos e materiais que acabaram de chegar ao mercado. Vivemos uma espécie de vida descartável onde as relações e os corpos têm prazo de validade, segundo Ieda Tucherman (2009), o que experimentamos hoje não é ser um corpo, mas ter um corpo que sempre podemos modificar sua aparência ou potencializar as suas funções.


A partir do final do século XIX com as descobertas do cinema e a tecnologia de raio X é selada a relação entre medicina visual e o cinema, o que alterou paulatinamente as concepções de vida, realidade, o homem e o seu corpo. Portanto, compreendemos o real a partir das suas representações, do que podemos observar.


De acordo com a autora, o cinema é o ambiente propicio para a reflexão da técnica a partir da própria técnica que dita às tendências e transformações no campo social e existencial, simbólico e imaginário.


Aliado ao cinema está ficção cientifica que alicerçado na espetacularidade dos resultados técnicos e na fabricação do espanto que permitem “viagens estéticas” e experiências de realização bastante apreciadas servem de sustentáculos para os argumentos das teorias pós-modernas.


O avanço tecnológico aliado a ciência médica produz cada vez mais homens híbridos, parte homem, parte máquina, técnicas avançadas de transplantes, que retiram daqueles que morreram violentamente, órgãos sadios para serem transplantados em corpos doentes. Não saberemos aonde o avanço da técnica aliada a medicina chegarão, mas com certeza veremos antes nas telas de cinema.

Texto produzido a partir do artigo: Corpo, fragmentos e ligações: a micro-história de alguns órgãos e de certas promessas.Ieda Tucherdam, 2009.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Corpos amputados e profetizados: “naturalizando” novas formas de habitar o corpo na contemporaneidade


Os avanços tecnológicos e científicos dão contornos de perfeição aos corpos. Chegamos ao século XXI consumindo cada vez mais bens materiais, conteúdos culturais e fórmulas miraculosas de uma vida feliz, sadia e longínqua, ou seja, somos bombardeados a cada instante por imagens, mensagens publicitárias que nos prometem o elixir da juventude, da beleza e do bem estar sem sacrifício.

A tecnologia nos oferece possibilidades infinitas de tornar o corpo jovem e perfeito. Mas, quando o individuo é surpreendido com uma causalidade como uma doença ou acidente que lhe ampute um membro, a amputação segundo Paiva (2009) ocasiona a morte real de uma parte do individuo, como também, da morte simbólica de um estilo de vida, de uma forma de ser e de uma identidade.

A autora nos leva a refletir sobre o processo de renascimento e apropriação do corpo amputado pelo individuo. A prótese antes um objeto estranho torna-se paulatinamente parte integrante do ser que reconstrói com auxilio da tecnologia o seu corpo, a sua identidade.



Reflexão feita a partir do texto: Corpos amputados e profetizados: “naturalizando” novas formas de habitar o corpo na contemporaneidade. Luciana Laureano Paiva. 2009

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Corpo Cyborg e o dispositivo das novas tecnologias


O aperfeiçoamento acelerado das novas tecnologias propicia ao homem uma interação sem precedentes com a natureza, com a sociedade e com os outros homens. A ciência e a tecnologia impulsionam os vários campos do conhecimento como: robótica, bioengenharia, nanotecnologia, a biologia molecular, a genômica, a biotecnologia com o objetivo de promover a vida em laboratório, de construir máquinas inteligentes e robôs sentimentais.

Lima (2009) nos chama atenção para o momento histórico que presenciamos o fim das barreiras pela tecnologia do ser orgânico do ser maquínico, do vivo e não vivo, do humano e da máquina. Somos levados a refletir sobre o que significa ser humano diante dos ciborgues e de outras entidades pós-humanas e como o corpo é transmutado a partir da tecnociência.

O termo Cyborg é a abreviatura de cibernetic organism e foi proposto por Manfred Clynes e Nathan S. Kline. Na visão dos autores o ciborgue era uma solução para questão da alteração das funções corporais do homem para corresponder às necessidades de ambientes extraterrestres.

Hoje o termo ciborgue recebe outras significações como observado por Haraway(1995). Os ciborgues estão em processo de reconfiguração distantes de seus ancestrais mecânicos tendo como função primordial serem máquinas de informação.

Lima(2009) continua suas reflexões trazendo o pensamento de Gray, Downey e outros autores que afirmam que todos vivemos em uma sociedade ciborgue, pois qualquer pessoa com um órgão artificial ou uma prótese implantada, ou ainda qualquer pessoa que tenha sido “reprogramada” para resistir à doenças ou mesmo dragada para pensar, comportar-se e sentir-se melhor(psicofarmacologia), é tecnicamente um ciborgue.



Texto produzido a partir do artigo Corpo Cyborg e o dispositivo das novas tecnologias. Homero Luís Alves de Lima

Os percursos do corpo na cultura contemporânea.

O exercício de compreender o homem sócio-histórico a partir de como ele se percebe e como percebe os outros nos leva a refletir como nós homens híbridos convivemos com a busca incessante do corpo canônico. Corpo este, segundo Fontes, levado aos limites da potencializarão de força e beleza.

Segundo a autora entre todos os corpos o mais idealizado presente na cultura de massa é o feminino, jovem e urbano, atacado incessantemente pela mídia de massa através de suas mensagens publicitárias. Torna a mulher jovem dos centros urbanos seu objeto predileto, e, portanto o mais vulnerável as alterações corporais da sociedade.

A adoração ao corpo perfeito começa a cristaliza-se a partir do fim da bipolarização do mundo que norteava até então a sociabilidade do século XX. Ausentes dos ideais e das certezas que orientavam a vida humana, o individuo volta-se para si e como Narciso se apaixona pela sua própria imagem.

Mas, os homens e mulheres que não têm um corpo canônico são vistos por esta sociedade como um corpo dissonante, um corpo inválido, sobretudo os deficiente físicos que quando naturalizados são reduzidos a objetos causadores de estranhamento e repulsa.

Para não serem incluídos entre os corpos dissonantes cada vez mais pessoas recorrem a tecnociência para amenizar e até mesmo expurgar de seus corpos as imperfeições e as cicatrizes que remetem à passagem do tempo para que sejam aceitos nesta sociedade que valoriza apenas o belo, o jovem e o vigoroso.

Reflexão realizada a partir do artigo de Malu Fonte: Os percursos do corpo na cultura contemporânea.