sábado, 5 de março de 2011

Atividade Final do Módulo 1 - Ciclo IV

PRETTO, Nelson De Lucca. Escritos sobre educação, comunicação e cultura. São Paulo: Papirus, 2008. 240p.

A obra Escritos sobre educação, comunicação e cultura apresenta uma reunião de textos, em sua maioria, publicados em jornais e revistas do Brasil, revisados e atualizados para melhor compreensão dos jovens leitores. Outros textos, todavia, foram apresentados pela primeira vez, além de discursos e panfletos, publicações de circulação interna da Universidade Federal da Bahia escritas por professores e pesquisadores. Como o próprio autor esclarece, são suas reflexões ao longo de toda sua vida de estudo e trabalho nos campos da educação, da comunicação, da ciência, da cultura e das tecnologias da Informação e comunicação (TICs).

O autor descreve em 240 páginas suas vivências pessoais e profissionais em uma escrita leve, própria dos textos jornalísticos, contudo considerando o rigor acadêmico. Pretto nos leva a refletir o verdadeiro papel do ensino, a função do professor e os rumos da escola do futuro. Em sete capítulos de Escritos sobre educação, comunicação e cultura é desvelado o cidadão comprometido com a educação de qualidade e o homem que sabe acompanhar as transformações da sociedade.

O primeiro capítulo da obra, Entrevista e Discursos, o autor apresenta suas inquietações sobre o acelerado avanço das TICs e as possibilidades de integração das mesmas com a educação; relata como ocorreu a criação da Rede Bahia, uma “perna” dessa grande rede internacional de mais de 40 milhões de usuários chamada internet (p.21). Na entrevista Não existe livro Ideal, Pretto afirma que a melhoria do ensino também é responsabilidade dos professores, alunos e pais e que a qualificação docente passa pelo uso das tecnologias, pelo domínio de conteúdos e da atuação política do professor na sociedade. Os demais escritos do capítulo 1 reforçam a necessidade da escola de se abrir para meninada e aprender com os alunos a construir sua forma de aprender, o conhecimento deve ser experimentado, refeito, reconstruído, errando e acertando. É chegada à hora de dar futuro à escola, construir novas educações, tendo as TICs como força propulsora.
No capítulo 2 denominado Escritos: Educação foram organizados em ordem cronológica os textos mais direcionados para a educação, segundo o autor, são artigos de jornal, publicados ou não. Pretto demonstra neste capítulo sua preocupação com as políticas públicas de formação de professores e de livros didáticos no Brasil, além do papel dos meios de comunicação de massa na formação do povo brasileiro. O autor chama atenção para o desprestigio do professor na sociedade, afirmando: “a grande maioria dos professores de primeiro e segundo graus trabalha sem nenhuma autonomia, sem dignidade profissional, não decidindo o que, como e por que fazer dentro da escola”. (p. 78)

As reflexões sobre o livro didático são aprofundadas no capítulo 3, intitulado Educação: livros didáticos. Mais uma vez, Pretto alerta sobre a exclusão dos professores e entidades representativas das decisões que envolvem diretamente a escola. O autor denuncia às discriminações presentes nos livros didáticos e o incentivo a memorização presentes nesses recursos.

O capítulo 4, A Cultura: o cuidado com a cidade e as gentes apresenta a produção do autor no campo da cultura em articulação com a educação. Pretto faz uma viagem por lugares singulares do nosso estado, demonstrando todo o amor que tem por esta terra que o adotou como filho desde os 11 de idade. Na crônica Velhos tempos que não voltam mais o autor nos emociona ao falar da cidade onde viveu de 1960 a 1965, Joaçaba, em Santa Catarina.

Ciência e Tecnologia é o título do capítulo 5, a reflexão é sobre o papel da televisão na sociedade. A produção e exibição de programas educativos e a espetacularização da ciência, especialmente os exibidos pelo Programa Globo Ciência. Segundo o autor devemos precisamos estar de olhos abertos para o que lá fora é produzido para aprimorar e incentivar a nossa produção local. (p.168)

O capítulo 6, Tecnologia da informação: e chegaram os bytes em 22 artigos o autor traz a discussão sobre a presença das TICs e os desafios para educação e cultura na contemporaneidade: aprofunda a temática sobre criação e expansão da Rede Bahia e o papel da escola diante do futuro desenhado pelas tecnologias. Para Pretto não precisamos de internet nas escolas, mas sim de escolas na internet. (p.191)

A obra é um conjunto de reflexões e vivencias sobre o trabalho do autor no período de 1983 a 2007 na militância pela educação pública de qualidade. Sua ação diária na construção de uma prática que fortaleça o professor, transformando-o em um produtor de cultura. As ideias de Nelson Pretto nos convida a repensar o papel da escola frente às mudanças da sociedade e função das TICs na formação do povo. Discute profundamente a democratização da informação, as propriedades dos meios de comunicação, a ideologia veiculada, em especial quando se fala da mídia eletrônica.

A obra é indicada a estudantes e professores de todas as áreas do conhecimento e a todos que desejam compreender melhor como a educação, comunicação e cultura se entrelaçam na construção da sociedade. É certamente uma leitura clara e leve que nos faz a todo o momento repensarmos nosso papel de cidadão.

Escritos sobre educação, comunicação e cultura, de autoria do professor Nelson De Lucca Pretto, Formado em Física, mestre em Educação pela Universidade Federal da Bahia, doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado na University of London, Ingraterra.

Rosangela Costa Soares, pedagoga pela Universidade Estadual da Bahia, aluno do curso de Especialização em Tecnologia e Novas Educações pela Universidade Federal da Bahia.

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